Justiça dos EUA investiga Netflix por compra da Warner e HBO
Justiça dos EUA investiga Netflix após a gigante do streaming propor pagar US$ 72 bilhões pela Warner Discovery e pelo HBO Max, operação que pode remodelar o mercado e levantar questões antitruste.
Justiça dos EUA investiga Netflix por compra da Warner e HBO
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) emitiu uma intimação civil para avaliar se a transação reduziria a concorrência ou ampliaria em excesso o poder de mercado da Netflix. O documento, obtido pelo Wall Street Journal, aborda não só os termos do negócio, mas também eventuais condutas anteriores que possam indicar práticas excludentes capazes de consolidar uma posição monopolista futura.
A intimação foi encaminhada a outra empresa do setor — sinal de que a investigação ainda se encontra em estágio inicial, mas já mira o histórico competitivo da Netflix frente aos principais rivais.
Em dezembro, a plataforma concordou em pagar US$ 27,75 por ação da Warner, totalizando aproximadamente US$ 72 bilhões. Paralelamente, a Paramount apresentou uma oferta hostil de US$ 77,9 bilhões pela mesma companhia, incluindo canais a cabo como CNN, TNT e Food Network. Ambas as propostas estão sob análise do DOJ.
Segundo estimativas da consultoria Antenna, a união entre Netflix e HBO Max representaria cerca de 30 % do mercado de streaming por assinatura nos EUA. As diretrizes antitruste do órgão consideram presumivelmente ilegais fusões de concorrentes diretos que ultrapassem exatamente essa fatia. Monopólios, por sua vez, envolvem participações acima de 60 %.
A Netflix contesta esses números, alegando que 80 % dos assinantes do HBO Max já pagam pela Netflix e que plataformas gratuitas, como o YouTube, também competem pelo tempo de tela. A empresa sustenta ainda que a operação tem caráter vertical — combinando catálogo e infraestrutura — e não horizontal.

Imagem: T. Schneider
Steven Sunshine, advogado da companhia, afirmou que o processo segue o “padrão regulatório” do DOJ e que não há sinal de investigação autônoma por monopolização. Apesar disso, a pasta solicitou detalhes sobre como fusões anteriores afetaram contratos e a disputa por talentos criativos.
A revisão pode durar até um ano e deverá se repetir na Europa e no Reino Unido. Caso o acordo seja barrado ou receba exigências severas, o panorama competitivo do streaming poderá mudar mais uma vez.
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Crédito da imagem: T. Schneider / Shutterstock.com















