Dívida pública só estabiliza com política monetária, diz Mello
Dívida pública brasileira não vai se estabilizar apenas com ajuste fiscal, afirmou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, nesta sexta-feira (6).
BC tem papel decisivo no controle do endividamento
Em coletiva de imprensa, Mello destacou que o nível da dívida depende diretamente das decisões de política monetária conduzidas pelo Banco Central. “A projeção muda conforme a curva de juros se altera”, disse. O economista, cotado para assumir a diretoria de Política Econômica da autarquia, ressaltou a necessidade de sincronia entre políticas fiscal, econômica e monetária para conter a inflação e, por consequência, o avanço do passivo público.
Juros em 15% elevaram gasto e dívida em 2025
Relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE) mostra que o custo da dívida explodiu em 2025 devido aos juros em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O serviço da dívida alcançou R$ 1 trilhão, impulsionando a dívida bruta para 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), 2,4 pontos percentuais acima de 2024.
Crescimento sustentado e arcabouço fiscal
Para Mello, promover crescimento econômico é “essencial” para reduzir a relação dívida/PIB. Ele lembrou que o arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso contém travas que auxiliam na contenção de gastos, mas frisou que sem cortes graduais na Selic a estabilização será inviável.
Indicação de Mello ao BC e reação do mercado
Segundo a Reuters, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve formalizar a indicação de Mello para a diretoria do BC responsável pelos modelos que embasam as decisões de juros. Professor da Unicamp e filiado ao PT, o economista enfrenta resistência de parte do mercado financeiro, que teme uma postura mais heterodoxa na condução da política monetária.

Imagem: Reuters
O Comitê de Política Monetária sinalizou a possibilidade de iniciar redução da Selic em março, movimento que, se confirmado, poderá aliviar o custo dos juros e contribuir para a trajetória de queda da dívida pública.
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Crédito da imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado















