Canadá descarta armas nucleares após debate estratégico
Canadá descarta armas nucleares após debate estratégico foi a mensagem central do ministro da Defesa, David McGuinty, ao rechaçar a possibilidade de o país desenvolver seu próprio arsenal atômico, apesar das pressões externas e do fim iminente do último tratado de controle de armas entre Estados Unidos e Rússia.
Pressões externas reacendem discussão nuclear
Armas nucleares no Canadá voltaram ao centro do debate depois que o ex-chefe do Estado-Maior, general reformado Wayne Eyre, sugeriu que Ottawa não deveria descartar totalmente a ideia para garantir independência estratégica. A declaração ocorreu em evento privado no Rideau Club, em Ottawa, e ganhou repercussão devido às ameaças do ex-presidente norte-americano Donald Trump de reduzir apoio a aliados da OTAN que não ampliem gastos militares.
Questionado, McGuinty reiterou que o país “não tem, nem terá”, armamento nuclear. Ele lembrou que o Canadá é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) desde 1970, compromisso que impede Estados não nucleares de fabricar ou adquirir esse tipo de arma. “Continuaremos investindo em capacidades convencionais e na segurança do Ártico para operar de forma autônoma”, afirmou.
Especialistas reforçam essa posição. John Erath, diretor de políticas do Center for Arms Control and Non-Proliferation, avaliou que novas ogivas “agravariam a instabilidade” e não ofereceriam solução real. Já Alexander Lanoszka, professor da Universidade de Waterloo, destacou o alto custo político e financeiro de iniciar um programa nuclear, além da provável resistência dos Estados Unidos a qualquer iniciativa fora de seu controle.
Tensões globais e futuro do desarmamento
O debate ocorre enquanto o tratado New START, único acordo ativo entre Washington e Moscou que limita ogivas estratégicas, expira nesta quinta-feira. Com Rússia, China, Índia e outras potências expandindo arsenais, cresce o temor de uma nova corrida armamentista. Para Erath, o cenário deve motivar “diálogo urgente” entre aliados, mas não justifica a proliferação.
O próprio TNP, embora tenha reduzido o número global de ogivas de 70 mil no fim da Guerra Fria para cerca de 12 mil hoje, enfrenta desafios à medida que algumas potências modernizam estoques. Mais detalhes sobre o tratado podem ser consultados no site da Organização das Nações Unidas, referência mundial em desarmamento.

Imagem: Sean Boynt Global Ne
Mesmo sob incertezas, analistas apontam que a proximidade geográfica com o segundo maior arsenal nuclear — dos Estados Unidos — e a integração à OTAN continuam oferecendo dissuasão suficiente. “Só é preciso uma arma para deter um adversário; possuir centenas não aumenta essa eficácia”, concluiu Erath.
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Crédito da imagem: Global News















