Ferramentas de hominídeos revelam tecnologia de 500 mil anos
Ferramentas de hominídeos revelam tecnologia de 500 mil anos em antigos sítios da Grécia e da Inglaterra, mostrando que grupos pré-Homo sapiens dominavam o trabalho com madeira e osso muito antes de nossa espécie chegar à Europa.
Ferramentas de hominídeos revelam tecnologia de 500 mil anos
Dois estudos publicados nas revistas científicas PNAS e Science Advances detalham artefatos datados entre 430 mil e 500 mil anos. No sítio de Marathousa 1, no sul da Grécia, arqueólogos encontraram dezenas de fragmentos de madeira preservados; entre eles, uma vara de escavação de amieiro e um galho de álamo esculpido. Tomografias revelaram marcas precisas de corte, evidenciando que hominídeos como Homo heidelbergensis ou neandertais primitivos transformavam troncos em ferramentas específicas.
Madeira trabalhada na Grécia
Datado do Pleistoceno Médio (entre 478 mil e 424 mil anos), o local grego também traz vestígios de elefantes de presas retas, hipopótamos e aves, além de utensílios de pedra usados no abate. A raridade de peças de madeira tão antigas se deve à baixa preservação do material, o que reforça a importância da descoberta para entender a versatilidade tecnológica desses grupos.
Martelo de osso na Inglaterra
No sul da Inglaterra, em Boxgrove, pesquisadores descreveram um martelo de cerca de 10 centímetros fabricado a partir de osso fresco de elefante ou mamute. Sob análise microscópica, o objeto exibe fragmentos de sílex incrustados, sinal de repetido uso para lascar pedras — etapa essencial na confecção de lâminas cortantes. Até então, martelos de osso dessa antiguidade eram associados apenas a regiões mais quentes e períodos posteriores.
Implicações para a evolução tecnológica
Segundo o The New York Times, as evidências apontam que os primeiros europeus selecionavam madeira, osso e pedra conforme a tarefa, revelando capacidade de inovação muito anterior ao surgimento do Homo sapiens. A escassez de artefatos orgânicos nos registros arqueológicos passa, agora, a ser vista como resultado da difícil preservação, e não da inexistência de tais objetos.

Imagem: Nicolau Thomps
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Crédito da imagem: Nicolau Thompson/PNAS















