Vício em redes sociais: júri avalia Meta, TikTok e YouTube
Vício em redes sociais: júri avalia Meta, TikTok e YouTube marca o início de um julgamento inédito no Tribunal Superior da Califórnia, em Los Angeles, que pretende determinar se o design de Instagram, TikTok e YouTube provocou dependência digital e problemas de saúde mental em uma jovem de 19 anos identificada como K.G.M.
Vício em redes sociais: júri avalia Meta, TikTok e YouTube
A ação, tratada como caso-piloto, antecede mais de 5 mil processos semelhantes contra Meta, TikTok, Snap e YouTube nos Estados Unidos, sendo 3 mil apenas na Califórnia e outras 2 mil na esfera federal. Os autores alegam que algoritmos de recomendação, rolagem infinita e reprodução automática foram projetados para manter adolescentes conectados, contribuindo para depressão, ansiedade e pensamentos suicidas.
As empresas negam responsabilidade e destacam investimentos em ferramentas de segurança e controle parental. Em comunicado, a Meta classificou a acusação como “visão enganosa” e ressaltou que prioriza a proteção de menores “há mais de uma década”. O YouTube afirma que apresentará ao júri suas políticas desenvolvidas com especialistas em saúde mental, enquanto o TikTok sustenta que a denúncia ignora os recursos de proteção já disponíveis.
Documentos divulgados no processo, compilados pelo Tech Oversight Project, revelam discussões internas sobre o “valor estratégico” de atrair usuários na adolescência. Os papéis também mostram que as plataformas monitoravam riscos de engajamento excessivo e buscavam maneiras de minimizá-los. As rés, porém, argumentam que os materiais foram retirados de contexto e que pesquisas internas apontam relação limitada entre uso de redes sociais e bem-estar mental.
Um ponto central é a aplicação da Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações, que tradicionalmente isenta plataformas de responsabilidade por conteúdo de terceiros. A juíza Carolyn Kuhl rejeitou o pedido das empresas para encerrar o caso com base nessa proteção, permitindo que o júri decida se o dano decorre do conteúdo ou do design dos produtos. Especialistas ouvidos pelo The New York Times afirmam que um veredicto desfavorável pode abrir precedente para mudanças na legislação e chegar à Suprema Corte dos EUA.
Entre as testemunhas, estão o presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri. O CEO da Snap, Evan Spiegel, chegou a constar na lista, mas a empresa firmou acordo com a autora dias antes do início do julgamento, mantendo-se ré em outros processos.

Imagem: Tada s
O caso surge em meio a crescente desconfiança pública: pesquisa do Wall Street Journal indica que 71% dos norte-americanos apoiariam proibição de plataformas como Instagram e TikTok para menores de 16 anos. Paralelamente, as empresas lançam campanhas educativas para pais e escolas, tentando reforçar a ideia de uso seguro, desde que com controles adequados.
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Crédito da imagem: Tada Images / Shutterstock.com















