China planta floresta no deserto de Taklamakan e freia avanço
China planta floresta no deserto de Taklamakan e freia avanço ao concluir um cinturão verde de mais de 3 mil quilômetros em torno de um dos maiores desertos de areia do planeta. A iniciativa busca conter a desertificação que ameaçava estradas, ferrovias e cidades da região de Xinjiang.
China planta floresta no deserto de Taklamakan e freia avanço
Localizado no oeste chinês, o Deserto de Taklamakan ocupa cerca de 337 mil km² — área superior à de muitos países. Nas últimas décadas, tempestades de areia originadas ali interromperam rotas comerciais e elevaram custos de manutenção de infraestrutura. Para enfrentar o problema, Pequim integrou o Taklamakan ao programa “Grande Muralha Verde”, lançado nos anos 1970.
O projeto combina três pilares complementares: espécies nativas resistentes, sistemas de irrigação por gotejamento alimentados por poços controlados e parques solares distribuídos ao longo da barreira vegetal. Além de gerar energia limpa para bombear água e operar sensores, os painéis fotovoltaicos fazem sombra, reduzem a velocidade do vento e permitem o crescimento de vegetação rasteira sob sua estrutura.
Segundo autoridades chinesas e organismos internacionais, mais de 90 % das áreas críticas ao redor do deserto já contam com cobertura vegetal ou estruturas de contenção. Essa proteção diminuiu substancialmente as interrupções em rodovias e ferrovias, poupando bilhões de yuans em reparos emergenciais.
Especialistas alertam, porém, que a fase mais desafiadora começa agora: a manutenção. Aumento de temperatura, escassez hídrica e eventos climáticos extremos podem comprometer regiões estabilizadas. Por isso, o Taklamakan foi transformado em laboratório de engenharia ambiental, monitorado por imagens de satélite e sensores de umidade. De acordo com a FAO, agência da ONU, a permanência de projetos desse tipo depende de gestão adaptativa e monitoramento constante.

Imagem: Isabelle Miranda
Ao mesmo tempo em que cria uma “muralha viva” contra a areia, a China ganha tempo para adaptar sua infraestrutura a um clima mais instável. O êxito no Taklamakan pode servir de modelo para outras regiões áridas do planeta que enfrentam avanço de dunas e perda de solos férteis.
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Crédito da imagem: Money Times















