Incêndios florestais no Chile matam 18 e forçam êxodo
Incêndios florestais no Chile matam 18 e forçam êxodo. A onda de fogo que avança pelas regiões de Biobío e Ñuble já consumiu 8,5 mil hectares, destruiu ao menos 300 casas e obrigou cerca de 50 mil moradores a deixar suas cidades, segundo o Serviço Florestal Nacional.
Estado de catástrofe e apoio militar
O presidente Gabriel Boric decretou estado de catástrofe para Biobío e Ñuble, a cerca de 500 km ao sul de Santiago. O dispositivo permite suspender garantias constitucionais e mobilizar as Forças Armadas para reforçar o combate a mais de duas dúzias de focos ativos. Em entrevista coletiva em Concepción, Boric alertou que o balanço de 18 mortos e 300 residências arrasadas deve subir: “Somente em Biobío, o número de casas afetadas já passa de mil”, afirmou.
Relatos de autoridades locais apontam demora na resposta inicial. “Uma comunidade está queimando há quatro horas e não há presença do governo”, criticou Rodrigo Vera, prefeito de Penco. As queixas pressionaram o Executivo a acelerar o envio de tropas e equipamentos.
Calor extremo dificulta combate ao fogo
As chamas se alastram em meio a uma onda de calor que elevou os termômetros a 38 °C e deve persistir até segunda-feira. Ventos fortes espalham fagulhas e desafiam os bombeiros, que lutam para conter frentes simultâneas. O ministro do Interior, Álvaro Elizalde, admitiu que “as próximas horas indicam temperaturas extremas” e pediu que moradores atendam às ordens de evacuação.
Os incêndios de verão são frequentes no centro-sul chileno, mas ganham intensidade com a estiagem prolongada. Segundo a agência Reuters, eventos semelhantes em 2024 na costa central causaram 130 mortes, na pior tragédia natural desde o terremoto de 2010.
Moradores relatam fuga e perdas
Muitos habitantes foram surpreendidos durante a madrugada. “Ficamos presos em casa; achamos que o fogo pararia na borda da mata”, contou John Guzmán, em Penco. Veículos, uma escola e uma igreja foram tomados pelas chamas. Corpos carbonizados foram encontrados em campos, estradas e dentro de automóveis.

Imagem: Javier Torres The Associa
“Corremos no escuro com as crianças”, relatou Juan Lagos. Vizinhos identificaram vítimas conhecidas. “Sabíamos quem eram”, lamentou Víctor Burboa, apontando para casas reduzidas a cinzas.
O governo chileno mantém frentes de combate e assistência a desalojados enquanto monitora novas áreas de risco. Para entender como outras nações enfrentam emergências, leia também nosso conteúdo em Brasil e continue acompanhando nossas atualizações.
Crédito da imagem: Global News















