União Europeia reage a veto dos EUA a cinco europeus
União Europeia reage a veto dos EUA a cinco europeus logo após o Departamento de Estado barrar a entrada de cinco cidadãos europeus acusados de pressionar empresas de tecnologia norte-americanas a censurar conteúdos oriundos dos Estados Unidos.
União Europeia reage a veto dos EUA a cinco europeus
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou os europeus como “ativistas radicais” e “ONGs armadas”. A lista inclui o ex-comissário da UE para regras de mídia social, Thierry Breton, além de Imran Ahmed (Centre for Countering Digital Hate), Josephine Ballon e Anna-Lena von Hodenberg (HateAid), e Clare Melford (Global Disinformation Index).
As restrições se baseiam numa política de vistos adotada em maio por Washington para impedir a entrada de estrangeiros considerados responsáveis por suprimir discurso protegido nos EUA. Rubio argumentou, em publicação na rede X, que “ideólogos na Europa têm coagido plataformas americanas” e que o governo “não tolerará mais atos de censura extraterritorial”.
Reação imediata de Bruxelas e Paris
A Comissão Europeia afirmou “condenar veementemente” a decisão e solicitou explicações formais. “Se necessário, responderemos de forma rápida e decisiva para defender nossa autonomia regulatória contra medidas injustificadas”, declarou o órgão em nota.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também recorreu ao X para criticar a decisão, que classificou como “intimidação e coerção” com objetivo de fragilizar a soberania digital europeia. Macron reforçou que o pacote de regras digitais do bloco foi aprovado por processo democrático envolvendo os 27 Estados-membros e o Parlamento Europeu.
Digital Services Act em xeque
No centro da controvérsia está o Digital Services Act (DSA), regulamento europeu criado para obrigar grandes plataformas a sinalizar e remover conteúdos ilícitos, discurso de ódio e desinformação. A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah Rogers, chamou Breton de “mentor” do DSA, sugerindo que a lei impacta negativamente a liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Imagem: Lorne Cook The Associated
Breton rebateu lembrando que o DSA foi aprovado por unanimidade. “A censura não está onde vocês pensam”, escreveu. O impasse expõe tensões sobre quem deve definir as regras do ambiente digital global. Especialistas alertam que represálias mútuas podem afetar a cooperação transatlântica em tecnologia e segurança, segundo análise da agência Reuters.
Enquanto Bruxelas aguarda resposta formal de Washington, diplomatas europeus estudam contramedidas, incluindo possíveis restrições equivalentes a autoridades norte-americanas envolvidas na decisão.
Para acompanhar os próximos desdobramentos e entender como o litígio pode repercutir na economia digital, leia também outras reportagens na editoria Brasil do Minas Informa.
Crédito da imagem: Globalnews.ca















