Arquivos de Jeffrey Epstein somem do site do DOJ
Arquivos de Jeffrey Epstein somem do site do DOJ menos de 24 horas depois de publicados, deixando o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) sem explicar por que conteúdos altamente aguardados foram retirados do ar.
Arquivos de Jeffrey Epstein somem do site do DOJ
Pelo menos 16 documentos que tratavam das investigações sobre Jeffrey Epstein — entre eles uma imagem que mostrava o então presidente Donald Trump ao lado de Epstein, Melania Trump e Ghislaine Maxwell — estavam disponíveis na sexta-feira (19) e já não podiam ser acessados no sábado (20).
O DOJ não informou se a remoção foi intencional nem emitiu aviso ao público. A ausência de justificativas alimentou especulações nas redes sociais e reavivou questionamentos sobre a atuação de autoridades no caso. Parlamentares democratas no Comitê de Supervisão da Câmara cobraram “transparência” em publicação na plataforma X.
Os documentos retirados faziam parte de um lote de dezenas de milhares de páginas que o Departamento está liberando gradualmente para cumprir lei aprovada pelo Congresso. A primeira leva, entretanto, frustrou sobreviventes e investigadores independentes: entrevistas do FBI com vítimas, memorandos internos sobre decisões de acusação e menções a figuras como o príncipe Andrew não apareceram.
Segundo o próprio Departamento, o ritmo lento de divulgação deve-se ao trabalho de ocultar nomes e dados de identificação das vítimas. Não há prazo para a liberação completa. Para Marina Lacerda, que afirma ter sido abusada por Epstein aos 14 anos, o processo “mostra novamente o sistema falhando com as sobreviventes”.
Entre o material já disponibilizado destacam-se fotos inéditas das mansões de Epstein em Nova York e nas Ilhas Virgens, além de imagens de personalidades como Bill Clinton, Michael Jackson e Kevin Spacey. Especialistas notaram, porém, que muitas páginas estavam fortemente redigidas ou fora de contexto: um arquivo de 119 páginas marcado como “Grande Júri – NY” foi totalmente coberto por tarjas pretas.
O histórico do caso ajuda a explicar a pressão atual. Em 2007, promotores federais concluíram que tinham provas para acusar Epstein de tráfico sexual de menores, mas o então procurador Alexander Acosta concordou com um acordo que o levou a responder apenas por prostituição estatal na Flórida. A nova leva de documentos lança luz sobre esses bastidores, mas ainda deixa lacunas.

Imagem: Staff The Canadian Press
Reportagem do portal canadense Global News lembra que o DOJ admite possuir mais de 3,6 milhões de registros relacionados a Epstein e à socia Maxwell. Até agora, apenas uma fração está pública e, mesmo assim, com cortes extensos.
A retirada súbita dos 16 arquivos reforça a desconfiança de que informações sensíveis sobre relações de poder ainda permanecem ocultas. Enquanto não há explicações oficiais, cresce a pressão para que o Departamento esclareça o episódio e cumpra integralmente a legislação de transparência.
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Crédito da imagem: Global News















