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Leishmaniose visceral: médicos de Montes Claros se atualizam

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Leishmaniose visceral: médicos de Montes Claros se atualizam

Leishmaniose visceral: médicos de Montes Claros se atualizam em videoconferência da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, que reuniu centenas de médicos e enfermeiros do Norte de Minas para reforçar a importância do diagnóstico precoce da doença.

Leishmaniose visceral: médicos de Montes Claros se atualizam

O infectologista e pesquisador do Ministério da Saúde, Sílvio Fernando Guimarães de Carvalho, alertou que muitos pacientes só recebem o diagnóstico de leishmaniose visceral após a oitava consulta, quando o prognóstico já se agrava. Ele criticou a prática de consultas sem exame físico: “não se encontra o que não se procura”. Febre persistente, hepatoesplenomegalia e perda de peso devem acender o alerta imediato nos serviços de saúde.

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De acordo com o especialista, a doença continua em expansão global e já é a segunda maior causa de morte por parasitoses, atrás apenas da malária. A concentração de 90% dos casos em cinco países da América Latina, Leste da África e Índia mostra o caráter negligenciado do agravo.

No Norte de Minas, o cenário preocupa. Entre 2013 e outubro de 2025, foram registradas 1.441 notificações de leishmaniose visceral e 68 óbitos. A leishmaniose tegumentar também avança, com 2.495 casos no mesmo período. O vetor Lutzomyia longipalpis, popularmente chamado mosquito-palha, mantém a transmissão em áreas urbanas, favorecido por fatores socioambientais.

Carvalho defendeu a Anfotericina B Lipossomal como primeira linha terapêutica, por apresentar menor toxicidade e tempo de administração reduzido frente ao antimoniato de meglumina. Ele reforçou ainda o conceito de “saúde única”, integrando ações voltadas a humanos, meio ambiente e animais para conter a endemia.

Na mesma conferência, a infectologista Izabela Bretas Santos abordou a leishmaniose tegumentar, que provoca úlceras cutâneas e mucosas. Ela ressaltou a necessidade de vigilância contínua e educação em saúde para populações vulneráveis, como migrantes e pessoas vivendo com HIV.

Autoridades estaduais acreditam que a qualificação de equipes é decisiva para reduzir a letalidade. “O Norte de Minas é região endêmica; atualizar protocolos e profissionais é prioridade”, afirmou a coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS, Agna Soares da Silva Menezes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e diminui a transmissão, reforçando a urgência de capacitações como a promovida em Montes Claros.

Apesar da gravidade, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, e o Hospital Universitário Clemente de Faria segue como referência regional.

Para saber mais sobre iniciativas de saúde pública no estado, visite nossa editoria BRASIL e continue acompanhando as atualizações.

Crédito da imagem: Izabela Bretas Santos

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