Tarifas dos EUA reduzem vendas de pequenas empresas
Tarifas dos EUA reduzem vendas de pequenas empresas ao encarecer encomendas estrangeiras com a extinção, em 29 de agosto, da isenção para pacotes de até US$ 800, medida que multiplicou custos de frete e assustou consumidores norte-americanos às vésperas do Natal.
Tarifas dos EUA reduzem vendas de pequenas empresas
Em Belfast, na província canadense de Ilha do Príncipe Eduardo, a dona da Fleece & Harmony, Kim Doherty, viu o envio de um novelo de lã de US$ 21 sofrer acréscimo imediato de US$ 12 a US$ 15 em taxas de corretagem, mais impostos estaduais e tarifa de 6,5%. O repasse quase dobra o preço final e fez os pedidos caírem para 10% do volume habitual.
No vizinho estado da Flórida, o consumidor Chad Lundquist pagou US$ 35,75 por um óleo perfumado de uma loja sediada em Toronto, mas se surpreendeu com uma cobrança extra de US$ 10,80 da transportadora. “Não valeu a pena”, disse ele, resumindo a desconfiança que se espalhou entre compradores dos EUA.
Martha Keith, fundadora da marca britânica Martha Brook, revelou queda anual de 30% nas vendas para os Estados Unidos, mesmo arcando ela própria com tarifas e taxas para não onerar os clientes. A empreendedora precisou desembolsar £ 5.750 para honrar calendários do advento já vendidos antes da mudança.
Situação parecida enfrentam as irmãs Sue Bacarro e Angie, do ateliê Digi Wildflowers, em Windsor, Ontário. Com 70% da clientela nos EUA, elas só recuperaram parte do movimento após avisar, em destaque, que assumem todos os custos de importação.
Nem todos conseguem fazer o mesmo. Doherty afirma que suas margens não comportam absorver as despesas extras. Ela agora aposta em ampliar a oferta de fibras para consumidores canadenses e em feiras locais, enquanto monitora o efeito da medida que, segundo o governo norte-americano, pretende frear mercadorias de baixa qualidade e o tráfico de drogas. De acordo com a agência Reuters, as tarifas também miram gigantes do varejo on-line como Temu e Shein.

Imagem: Mae Anders The Associat
Na Austrália, a artesã Selene Pierangelini, da Apricot Rain Creations, viu a participação dos EUA em seu faturamento despencar de 85% para 35% após o serviço postal australiano suspender temporariamente o envio ao mercado norte-americano. Ela elevou o frete e busca diversificar a clientela para Europa e impressionar novos públicos via Facebook.
Empreendedores relatam incerteza sobre os valores exatos até que o pacote seja liberado na alfândega. “O cenário expõe como é frágil depender de um único mercado”, conclui Pierangelini, que agora estuda produção sob demanda em território americano para reduzir impacto cambial e tarifário.
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Crédito da imagem: Global News















