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Irã suspende enriquecimento de urânio após ataques

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Irã suspende enriquecimento de urânio após ataques

Irã suspende enriquecimento de urânio após ataques às instalações nucleares, declarou neste domingo o chanceler Abbas Araghchi, afirmando que não há atividade de enriquecimento em andamento e sugerindo ao Ocidente abertura para novas negociações.

Irã suspende enriquecimento de urânio após ataques

Questionado por um jornalista da Associated Press em Teerã, Araghchi foi direto: “Não há enriquecimento neste momento porque nossas instalações foram atacadas”. Segundo ele, todos os complexos nucleares permanecem sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).

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Os ataques citados ocorreram em junho, durante um conflito de 12 dias, quando Israel e Estados Unidos bombardearam os centros de Fordo, Isfahan e Natanz. Imagens de satélite analisadas posteriormente não detectaram obras de reparo significativo nos locais atingidos.

Antes das ofensivas, o Irã vinha enriquecendo urânio a 60% de pureza — um passo técnico curto para o nível bélico — desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do acordo nuclear de 2015, em 2018. Araghchi reiterou que “o direito ao uso pacífico da tecnologia, inclusive do enriquecimento, é inalienável” e enfatizou que Teerã não abrirá mão desse princípio.

Apesar do tom firme, o ministro deixou a porta entreaberta para conversas futuras. De acordo com ele, Washington precisa abandonar exigências “maximalistas” e adotar uma postura de “interesses mútuos” para que o diálogo avance.

O clima de pressão deve aumentar nesta semana, quando o Conselho de Governadores da IAEA pode votar nova resolução cobrando cooperação total de Teerã. Paralelamente, analistas lembram que sanções da ONU podem ser restabelecidas, reforçando o isolamento econômico do país.

As declarações ocorreram durante o seminário “Direito Internacional Sob Ataque: Agressão e Autodefesa”, realizado no Instituto de Estudos Políticos e Internacionais, ligado ao Ministério das Relações Exteriores iraniano. Autoridades, acadêmicos e imprensa estrangeira discutiram o impacto dos bombardeios e a situação de segurança regional.

A chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, disse que o país “é ameaçado diariamente com novos ataques” caso tente recuperar as áreas danificadas, o que mantém a produção nuclear suspensa por tempo indeterminado.

Em meio à tensão, o governo ainda enfrenta desafios internos, como pressões econômicas e debates sobre políticas sociais, mas segue buscando garantir espaço para negociar condições mais favoráveis no tabuleiro internacional.

No longo prazo, especialistas veem o gesto de paralisação como sinal diplomático: se a comunidade global reconhecer “o direito legítimo de enriquecer”, Teerã pode retomar o acordo e reduzir o risco de nova escalada militar.

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Crédito da imagem: Global News

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