Copom mantém Selic em 15% e descarta corte em 2025
Copom mantém Selic em 15% e descarta corte em 2025 no comunicado divulgado após a reunião desta quarta-feira (5). O comitê decidiu, por unanimidade, preservar a taxa no maior patamar desde 2006, posição que, segundo a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, reforça a falta de “conforto” do Banco Central em iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.
Copom mantém Selic em 15% e descarta corte em 2025
Para Kawauti, o tom do documento “foi mais duro que o mercado esperava”. Mesmo reconhecendo a desaceleração da atividade e a queda nas expectativas de inflação, o Copom reiterou que poderá manter os juros elevados por um “período suficientemente prolongado” e, se necessário, voltar a aumentá-los.
Fatores que travam a redução dos juros
A economista destaca três obstáculos principais ao recuo da Selic:
- Cenário fiscal – a possibilidade de deterioração das contas públicas ampliaria a pressão de demanda e o risco cambial, dificultando cortes.
- Ambiente externo – apesar do alívio recente nos EUA, a trajetória incerta dos Fed Funds, somada a tarifas comerciais e a um calendário econômico nebuloso, limita a margem do BC brasileiro.
- Credibilidade – manter a taxa em 15% sustenta a ancoragem das expectativas e preserva a confiança na política monetária, segundo Kawauti.
Perspectivas para as próximas reuniões
Kawauti avalia que a manutenção da Selic é praticamente garantida em dezembro e “provavelmente” em janeiro. A profissional só vê espaço para discussão de corte em 2025 se a política fiscal melhorar e o cenário externo colaborar.
Ela lembra que “ninguém gosta de juros a 15%”, mas considera o custo de perder credibilidade “muito maior” do que sustentar o aperto por mais alguns trimestres.

Imagem: Liliane de Lima
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Crédito da imagem: Rmcarvalho/iStock















