Incêndio no Ninho do Urubu: MP recorre de absolvição
Incêndio no Ninho do Urubu: o Ministério Público do Rio de Janeiro protocolou recurso para reverter a decisão que inocentou sete acusados pela tragédia que matou dez jovens atletas do Flamengo em 2019.
Incêndio no Ninho do Urubu: MP recorre de absolvição
O pedido foi apresentado na sexta-feira (24) à 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital pela juíza Clara Maria Vassali Costa Pereira da Silva. O órgão de acusação busca que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) reveja a sentença proferida na última terça-feira (21) pelo juiz Tiago Fernandes de Barros.
Na decisão contestada, Barros alegou ausência de provas que estabeleçam vínculo entre a conduta dos réus e o incêndio nos contêineres do Centro de Treinamento George Helal. O magistrado sustentou que o laudo pericial não permite concluir se o fogo começou por falha de instalação, oscilação de energia, sobrecorrente ou defeito do aparelho de ar-condicionado.
Foram absolvidos o diretor-financeiro do Flamengo, Antonio Marcio Mongelli Garotti; os engenheiros Claudia Eira Rodrigues, Danilo da Silva Duarte, Fabio Hilario da Silva e Weslley Gimenes, ligados à empresa NHJ; o sócio da Colman Refrigeração, Edson Colman da Silva; e o engenheiro Marcelo Maia de Sá, ex-diretor-adjunto de Patrimônio do clube. Todos respondiam por incêndio culposo (dez vezes) e lesão corporal (três vezes).
Com o recurso, o MP-RJ apresentará suas razões ao TJ-RJ, e os sete absolvidos terão oportunidade de nova manifestação. Caso o tribunal acolha o pedido, o caso avança para julgamento em segunda instância.
A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) classificou a absolvição como “grave afronta à memória das vítimas”. O incêndio vitimou Christian Esmério, Bernardo Pisetta, Arthur Vinicius, Athila Paixão, Rykelmo Viana, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Samuel Barbosa, Vítor Isaias e Gedson Santos, com idades entre 14 e 17 anos.
Imagem: Reprodução
Reportagem da BBC News Brasil recorda que alertas sobre deficiências de segurança no alojamento existiam antes de 2019, intensificando a pressão por responsabilização.
Paralelamente, ações cíveis e trabalhistas continuam tramitando. Em julho, o Flamengo foi condenado em primeira instância pela Justiça do Trabalho a indenizar um ex-segurança que participou do resgate dos atletas.
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