Acordo EUA-Austrália fixa preço de minerais críticos
Acordo EUA-Austrália fixa preço de minerais críticos marca a ofensiva de Washington para reduzir a dependência da cadeia global em relação à China. O presidente norte-americano Donald Trump e o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese assinaram o pacto nesta segunda-feira (20), na Casa Branca, liberando investimentos bilionários e estabelecendo valor mínimo para terras raras e outros insumos estratégicos.
Investimento inicial de US$ 2 bilhões
Pelo documento, cada país injetará US$ 1 bilhão nos próximos seis meses em projetos de mineração e processamento. Os recursos fazem parte de um pipeline estimado em US$ 8,5 bilhões, direcionado a depósitos avaliados em US$ 53 bilhões. A adoção de preço mínimo atende a demanda histórica de mineradoras ocidentais, que reclamam da concorrência de Pequim.
Meta ambiciosa desafia especialistas
Trump disse que, “dentro de um ano”, os EUA terão volume de minerais críticos “que não saberão como usar”. Analistas presentes a uma conferência do setor em Sydney veem o cronograma como “heroico”. Dan Morgan, da Barrenjoey, avalia que completar vários projetos até 2027 “é inatingível” para grande parte deles. No segmento de rare earths, o ciclo de desenvolvimento costuma levar de cinco a sete anos.
Resposta de Pequim e domínio atual da China
O Ministério das Relações Exteriores chinês evitou comentar diretamente, mas afirmou que “mercado e decisões comerciais” regem as cadeias globais. Hoje, a China controla 90 % da capacidade de refino de terras raras, além de 69 % da mineração e 98 % da produção de ímãs derivados, segundo o Goldman Sachs. Para especialistas, o refino chinês é mais barato por dominar processos tecnicamente complexos e ambientalmente agressivos (Reuters).
EXIM apoia projetos e Pentágono planeja refinaria
O Banco de Exportação e Importação dos EUA (EXIM) emitiu sete cartas de intenção que somam US$ 2,2 bilhões a empresas como Arafura Rare Earths, Northern Minerals e Sunrise Energy Metals. Os projetos envolvem minerais aplicados em defesa, aeroespacial e tecnologias de próxima geração. Paralelamente, o Pentágono pretende erguer uma refinaria de gálio no oeste australiano, após Pequim restringir a exportação do metal em dezembro passado.
Imagem: Reuters
EUA ampliam busca global por minerais críticos
Com a assinatura, Washington intensifica a estratégia de diversificar suprimentos antes da reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, programada para a próxima semana na Coreia do Sul. Terras raras, lítio e níquel são cruciais para veículos elétricos, turbinas de avião e radares militares. Embora a Austrália possua reservas expressivas, o domínio chinês no refino continua sendo o principal gargalo logístico.
O acordo bilionário reforça a corrida ocidental por autonomia em insumos estratégicos. Para acompanhar outras análises sobre geopolítica e economia, acesse nossa editoria em Minas Informa e continue informado.
Crédito da imagem: Jim Watson / Pool AFP
















