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Ibama autoriza perfuração na Foz do Amazonas e gera reação

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Ibama autoriza perfuração na Foz do Amazonas e gera reação

Ibama autoriza perfuração na Foz do Amazonas e gera reação ao conceder licença para a Petrobras abrir poços exploratórios na Margem Equatorial, decisão que motivou organizações ambientais a anunciarem ida à Justiça.

Ibama autoriza perfuração na Foz do Amazonas e gera reação

Ambientalistas prometem contestar licença

Entidades como Observatório do Clima, Instituto Arayara e 350.org afirmam que a autorização contraria compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e pode agravar o aquecimento global ao estimular novos projetos de combustíveis fósseis. Em nota, o Observatório classificou a decisão como “sabotagem” à próxima Conferência do Clima (COP30) e informou que “o governo será devidamente processado nos próximos dias”. Para a diretora do Arayara, Nicole Oliveira, “o valor de uma sonda jamais pode superar o valor da vida das comunidades amazônidas”.

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O cientista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, reiterou que a região está próxima do ponto de não retorno. Ele reforçou que, se o aquecimento global chegar a 2 °C, os danos serão irreversíveis, defendendo a redução imediata de emissões. Relatórios do IPCC apontam que qualquer nova expansão fóssil dificulta o cumprimento da meta de limitar o aquecimento.

Ibama defende rigor do processo

O órgão ambiental informou ter conduzido “processo rigoroso de licenciamento”, que incluiu Estudo de Impacto Ambiental, três audiências públicas, 65 reuniões técnicas em mais de 20 municípios do Pará e do Amapá, além de vistorias e avaliação pré-operacional com mais de 400 participantes. A licença abrange o bloco FZA-M-059, situado a 500 km da foz do rio Amazonas e 175 km da costa.

Petrobras celebra e garante segurança

A estatal destacou tratar-se de fase exploratória, sem produção de petróleo neste momento, com perfuração prevista para durar cinco meses. Segundo a presidente Magda Chambriard, “a licença é uma conquista da sociedade brasileira” após quase cinco anos de diálogo com órgãos ambientais. A companhia assegura que atuará “com segurança, responsabilidade e qualidade técnica” na Margem Equatorial.

Críticos, porém, lembram que a Petrobras responde por 29% dos novos projetos fósseis da América Latina e consideram a iniciativa contrária a uma transição energética justa. Para Ilan Zugman, da 350.org, autorizar novas frentes de petróleo “é insistir em um modelo que não deu certo, gerando lucro para poucos e impactos sociais para muitos”.

No Judiciário, as organizações esperam suspender a licença e pressionar por um acordo global que elimine gradualmente a extração de petróleo. Enquanto isso, o governo será cobrado por líderes internacionais a explicar a decisão durante os preparativos da COP30.

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Crédito da imagem: FabioIm/iStock

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