Ambipar entra em recuperação judicial na segunda-feira
Ambipar entra em recuperação judicial na segunda-feira, conforme apuração publicada no jornal O Globo. A companhia de gestão ambiental planeja protocolar o pedido na Justiça do Rio de Janeiro em 20 de outubro, buscando proteção após fracassarem negociações com credores.
Impasse com bancos atrasa acordo extrajudicial
A tentativa de recuperação judicial da Ambipar tornou-se inevitável depois de conversas frustradas com detentores de debêntures locais, investidores de bonds no exterior e grandes instituições financeiras. Segundo a coluna de Lauro Jardim, Itaú, Bradesco e Santander defendiam transferir o foro para São Paulo, enquanto a empresa manteve preferência pelo Rio. Sem consenso, caiu a possibilidade de uma recuperação extrajudicial, que exigia a adesão de ao menos um terço dos credores.
A cautelar que hoje impede ações de cobrança expira no fim da próxima semana. Caso o pedido não fosse encaminhado, a Ambipar estaria sujeita a execuções imediatas. De acordo com o serviço Broadcast, o prazo máximo para formalizar a solicitação seria 27 de outubro.
Dívida pulverizada dificulta quórum de apoio
Cerca de US$ 1 bilhão – mais de R$ 5 bilhões – da dívida total está distribuído entre investidores internacionais, cenário que complicou a obtenção do quórum necessário. Nos balanços mais recentes, a companhia reportou R$ 2,8 bilhões em debêntures remuneradas a CDI + 2,75%-3,5%.
Somente Itaú, Bradesco e Santander acumulavam exposição de R$ 1,68 bilhão em linhas de capital de giro até junho. Banco do Brasil e Itaú também figuram entre os detentores de debêntures, ampliando o risco sistêmico.
Auditoria independente e derrocada das ações
Na sexta-feira (17), os papéis AMBP3 afundaram 17%, para R$ 0,37, após a contratação da FTI Consulting. A firma fará auditoria no caixa e nas demonstrações financeiras para investigar eventuais inconsistências, a exemplo do trabalho realizado na Americanas em 2023.
Imagem: Seu Dinheiro
A crise se agravou após o Deutsche Bank exigir depósitos adicionais de US$ 35 milhões como garantia de derivativos ligados aos bonds, acionando cláusulas de cross-default que antecipam vencimentos e podem alcançar R$ 10 bilhões. Desde então, as ações acumulam queda de 97% em 2025, configurando um dos maiores colapsos recentes da B3.
No momento da publicação, a Ambipar não havia se manifestado sobre o pedido de recuperação judicial.
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Crédito da imagem: Divulgação















