Safra rebaixa Neoenergia após alta de 40% no ano na Bolsa
Safra rebaixa Neoenergia após alta de 40% no ano na Bolsa, movendo a recomendação da ação de “compra” para “neutra” e fixando preço-alvo em R$ 31,30, o que implica potencial de 15% frente ao fechamento mais recente.
Valorizações acima do Ibovespa elevam o risco
Segundo relatório assinado pelo analista Daniel Travitzky, a Neoenergia (NEOE3) ficou “carregada” após subir cerca de 40% em 2025, superando tanto o Ibovespa quanto o Índice de Energia Elétrica (IEE). O movimento foi impulsionado pela expectativa de oferta pública de aquisição (OPA) depois que a espanhola Iberdrola comprou 30,29% da Previ a R$ 32,50 por ação, transação avaliada em R$ 11,95 bilhões.
Ainda assim, o Safra manteve recomendação neutra para CPFL (CPFE3) e destacou que, apesar de fundamentos sólidos, o valuation da Neoenergia tornou-se mais exigente. A empresa negocia a 6,2x EV/Ebitda, acima da média histórica de 5,6x, e a 11,1x preço/lucro, frente a 6,5x no passado recente. “Com essas taxas internas de retorno, vemos alternativas mais baratas no setor”, afirma o banco.
Fundamentos seguem robustos
Entre 2020 e 2024, a elétrica expandiu o Ebitda a um CAGR de 21%, reduziu custos operacionais e elevou a base regulatória (RAB) para R$ 37,7 bilhões. Além disso, manteve os indicadores de qualidade das concessões e limitou perdas técnicas.
Os analistas citam potenciais catalisadores como a venda dos ativos de transmissão ao fundo soberano de Cingapura (GIC), que pode diminuir a alavancagem e liberar espaço para novos projetos ou dividendos. A Iberdrola ainda pode lançar uma OPA sobre o free float de 16,2%, enquanto créditos tributários de PIS/Cofins podem representar receita adicional.
Para contextualizar, a Reuters detalhou a aquisição da participação da Previ pela Iberdrola, movimento que alimentou as especulações de OPA e ajudou a disparada das ações (leia mais).
Imagem: Renan Dantas
Safra reforça cautela
O banco ressalta que a materialização da OPA ainda é incerta, com condições e preço indefinidos. Diante desse cenário, o Safra prefere adotar postura neutra, reforçando que “quem surfou a alta, surfou”.
No fechamento, o relatório conclui que, apesar dos bons resultados operacionais, a Neoenergia apresenta prêmio elevado em relação ao histórico e a pares, justificando o rebaixamento.
Quer acompanhar outras análises do mercado brasileiro? Acesse nossa editoria de Brasil e fique por dentro dos próximos movimentos das empresas listadas.
Crédito da imagem: REUTERS/Ricardo Moraes















