ONU 80 anos: crise de legitimidade e falta de recursos
ONU 80 anos: crise de legitimidade e falta de recursos marca o pano de fundo da 80ª Assembleia Geral, iniciada em Nova York, onde líderes mundiais tentam reafirmar o multilateralismo em meio ao maior déficit financeiro da história da organização.
ONU 80 anos: crise de legitimidade e falta de recursos
A reunião, realizada sob o slogan “Melhor Juntos”, celebra as oito décadas do órgão criado em 1945 para impedir novas guerras globais. Entretanto, conflitos persistentes – da Ucrânia ao Sudão, passando por Gaza e Haiti – expõem o contraste entre o ideal pacifista e a realidade de um mundo fragmentado.
O cenário financeiro é igualmente delicado. Cortes impostos pelos Estados Unidos, atrasos de Pequim e de outros quarenta membros abriram um buraco orçamentário estimado em US$ 1 bilhão. Diante do subfinanciamento, o secretário-geral António Guterres lançou a iniciativa UN80 para enxugar custos e tentar manter operações essenciais.
A pressão ocorre quando 123 milhões de pessoas estão deslocadas por guerras e crises humanitárias. Para uma entidade cujo mandato é preservar a paz, a falta de verbas ameaça missões em andamento e coloca em xeque a capacidade de resposta a novas emergências.
A legitimidade política também está em debate. Reformar o Conselho de Segurança, frequentemente apontado como solução, esbarra no veto das grandes potências. Enquanto isso, economias emergentes da África, Ásia e América Latina reivindicam maior representatividade nas decisões globais.
Na tribuna, o Brasil abriu os discursos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguido por Donald Trump. O tom subiu quando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou adversários regionais, evidenciando as tensões que atravessam o Oriente Médio.
Analistas de mercado veem na incerteza geopolítica um estímulo adicional à busca por ativos de proteção, como o ouro. O metal volta a ganhar relevância como reserva de valor em carteiras que buscam equilibrar risco e retorno.
Imagem: Matheus Spiess
De acordo com dados oficiais da ONU, a instituição já acumula mais de 30 mandatos distintos, do combate à pobreza às mudanças climáticas, mas dispõe de menos recursos proporcionais que há duas décadas. O descompasso reforça críticas de que a organização “faz mais com menos” enquanto a ordem internacional erodida precisa de coordenação inédita.
Entre idealismo diplomático e realismo financeiro, a 80ª Assembleia Geral pode determinar se a ONU conseguirá renovar sua missão ou se permanecerá refém das mesmas divisões que tentou superar em 1945.
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Crédito da imagem: REUTERS/Carlo Allegri














