Ataques de abelhas disparam e Brasil ainda sem antídoto
Ataques de abelhas disparam e Brasil ainda sem antídoto marcam um cenário de saúde pública que avança mais rápido do que as soluções terapêuticas. De 2020 a 2024, as notificações de picadas saltaram 82% e somaram 34.260 casos, com 117 mortes, segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde.
Ataques de abelhas disparam e Brasil ainda sem antídoto
Especialistas atribuem o crescimento dos ataques de abelhas à expansão da apicultura e às mudanças climáticas, que ampliaram a presença de colmeias em áreas antes pouco ocupadas. Hoje, o envenenamento por abelhas ocupa o terceiro lugar entre acidentes com animais peçonhentos, atrás apenas de escorpiões e aranhas.
Apesar da gravidade, o tratamento disponível continua restrito a medidas de suporte: anti-histamínicos, corticoides e, em casos de anafilaxia, epinefrina. Não existe um antiveneno para picada de abelha, ao contrário do que ocorre com cobras e escorpiões.
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o Instituto Butantan e o Instituto Vital Brazil, removeram os componentes dolorosos e alergênicos do veneno e criaram o chamado antiveneno apílico. Em ensaio clínico de fase 2, 20 pacientes — alguns atacados por mais de 500 abelhas — apresentaram melhora significativa em até 30 dias e não registraram eventos adversos graves.
A proposta de um estudo de fase 3, que pode viabilizar o registro na Anvisa e sua distribuição pelo SUS, está em análise no Ministério da Saúde. Caso aprovado, o soro será inédito no mundo e poderá ser exportado.
Enquanto o antídoto não chega, a orientação é prevenir o contato com enxames. Se colmeias forem vistas em áreas urbanas, a recomendação é acionar os bombeiros ou a vigilância ambiental, evitar ruídos e não usar inseticidas que irritem as abelhas. Após múltiplas ferroadas ou sinais de reação alérgica — falta de ar, inchaço de língua e lábios, queda de pressão — o paciente deve buscar atendimento de emergência imediatamente.
Imagem: Leardo Costa
No primeiro minuto após a ferroada, retirar o ferrão com objeto rígido, como um cartão, ajuda a limitar a quantidade de toxina. Depois desse período, a remoção deixa de ser prioritária, mas ainda é importante para evitar reações tardias.
Para saber como outras equipes de resgate lidam com situações semelhantes, leia também nosso conteúdo em BOMBEIROS e mantenha-se informado sobre prevenção e primeiros socorros.
Crédito da imagem: Leonardo Costa















