Canadá quer vender GNL à Alemanha em até cinco anos
Canadá quer vender GNL à Alemanha em até cinco anos, meta apresentada pelo primeiro-ministro Mark Carney durante encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz em Berlim. O governo canadense promete, nas próximas duas semanas, detalhar investimentos em infraestrutura portuária que viabilizem o transporte de gás natural liquefeito (GNL) rumo à Europa.
Novos terminais portuários entram na lista de prioridades
Carney citou dois projetos considerados “de interesse nacional” sob a nova lei de grandes obras aprovada na primavera: a expansão de Contrecoeur, no Porto de Montreal, que pode elevar em até 40 % a capacidade de contêineres, e a revitalização do Porto de Churchill, no norte de Manitoba. Este último é visto como porta de saída para volumes significativos de GNL, além de minerais críticos.
De acordo com o ministro da Energia, Tim Hodgson, a proposta vendida a compradores alemães prevê embarques em “no máximo cinco anos”. Ele afirmou que, após a invasão da Ucrânia, o gás natural passou a ser combustível de transição “em alta demanda e por um período mais longo” na Alemanha, tornando a parceria com o Canadá estratégica.
Ceticismo sobre prazos e necessidade de gasoduto
Para Adam Pankratz, professor da Sauder School of Business da Universidade da Colúmbia Britânica, o cronograma é teoricamente possível, mas exige comprovação prática. “Até vermos uma mudança definitiva, não há motivo para confiar apenas na palavra do governo”, disse. O especialista lembra que, além dos terminais, será indispensável um novo gasoduto ligando as reservas do Oeste canadense ao litoral leste — um desafio financeiro, ambiental e político.
Projetos no Pacífico avançam, costa atlântica patina
Enquanto cinco instalações de exportação em construção ou licenciamento na Colúmbia Britânica se concentram no mercado asiático, tentativas na costa atlântica encontraram obstáculos. A ampliação da planta de Saint John, em New Brunswick, foi abandonada em 2023, e o projeto de Saguenay, no Quebec, foi rejeitado em 2021. Mesmo assim, o premiê quebequense François Legault sinaliza abertura a novas discussões, incluindo a proposta da norueguesa Marinvest na Côte-Nord.
Pressa por competitividade diante dos EUA
O Canadá corre contra o tempo. Os Estados Unidos tornaram-se o maior exportador global de GNL e planejam aumentar em 50 % a capacidade até 2025, segundo a Agência Internacional de Energia. Além disso, Washington firmou acordo com a União Europeia para fornecer US$ 750 bilhões em petróleo e gás nos próximos quatro anos. Para críticos, Ottawa precisa acelerar aprovações ou arrisca “o maior fracasso de política econômica em décadas”, nas palavras de Pankratz.
Imagem: Sean Boynt Global Ne
Carney garante que qualquer obra enquadrada na lei federal terá prazo máximo de dois anos para licenciamento, exigindo adesão de povos indígenas e governos locais, além de critérios ambientais. Enquanto isso, Hodgson relata “forte interesse” de empresas alemãs em parcerias.
No momento em que aliados fecham contratos energéticos para reduzir dependência da Rússia, especialistas calculam que o GNL canadense poderia acrescentar ao menos C$ 11 bilhões anuais ao PIB. Resta saber se o país conseguirá transformar planos em embarques reais antes dos concorrentes.
Para acompanhar outras análises sobre infraestruturas estratégicas no país, visite nossa editoria Brasil e continue informado.
Crédito da imagem: Global News















