Caverna Etxeberri revela ritual xamânico de 16 mil anos
Caverna Etxeberri revela ritual xamânico de 16 mil anos — localizado nas profundezas dos Pirineus franceses, o sítio arqueológico guarda pinturas rupestres que, segundo um novo estudo, eram parte de um perigoso rito de passagem conduzido por xamãs do Paleolítico.
Caverna Etxeberri revela ritual xamânico de 16 mil anos
Publicada no Journal of Field Archaeology, a pesquisa analisou os percursos que os caçadores-coletores enfrentaram há cerca de 16 000 anos. Para alcançar as câmaras decoradas, eles se espremeram por corredores estreitos, desceram paredões verticais e cruzaram o Sumidouro do Anjo — uma fenda cuja primeira queda tem 16 m e se conecta a um poço de até 60 m de profundidade.
As paredes exibem figuras de bisões, cavalos, seres humanos e símbolos abstratos, todos pintados com ocre vermelho, carvão e argila. Ferramentas de sílex achadas no local sugerem que rochas foram desgastadas para abrir passagens ou remover obstáculos, indicando planejamento coletivo.
Para iluminar a jornada, os antigos habitantes queimavam madeira de coníferas e ossos, usando gordura animal como combustível para tochas e lâmpadas. Qualquer corda vegetal que pudesse ter garantido segurança já teria se decomposto, tornando impossível confirmar seu uso, apontam os autores.
Os pesquisadores defendem que as imagens mais complexas eram “obras públicas” criadas por xamãs experientes durante cerimônias coletivas. Já marcas simples, encontradas em áreas de acesso ainda mais arriscado, teriam sido feitas por jovens em processo de iniciação, reforçando a hipótese de um ritual de passagem extremamente exigente.
Imagem: Iñaki Intxaurbe et al
O estudo conclui que a Caverna Etxeberri demonstra não apenas resistência física, mas também forte investimento simbólico da comunidade paleolítica. O esforço para superar obstáculos mortais indica que as gravuras tinham significado social que ia muito além da sobrevivência cotidiana.
Para continuar acompanhando descobertas arqueológicas e outras notícias nacionais, visite nossa editoria Brasil e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Iñaki Intxaurbe et al 2025
















