Profissionais da saúde estão no topo do ranking de afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho em Minas Gerais. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) mostram que, desde 2022, agentes comunitários, técnicos de enfermagem, enfermeiros e agentes de saúde pública representaram 37% dos casos de afastamento no serviço público.
Entre 2022 e 2025, foram registradas 2.804 notificações de adoecimento mental no setor público e privado. Técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e enfermeiros ocupam, respectivamente, a 1ª, 2ª e 6ª posições entre as profissões mais impactadas. Só em 2024, foram 972 registros, um aumento de 29,6% em relação ao ano anterior.
Carga emocional e pressão cotidiana
Especialistas apontam que a sobrecarga de trabalho, a pressão da rotina hospitalar e a luta constante contra a morte são fatores determinantes para o adoecimento psicológico desses profissionais. Além do estresse diário, muitos relatam assédio moral, precarização dos vínculos de trabalho e baixa remuneração como agravantes.
No setor público, o salário base de várias categorias da enfermagem não ultrapassa R$ 1.518, o que leva muitos trabalhadores a buscar dupla jornada. Essa realidade intensifica o desgaste físico e mental.
Pandemia agravou cenário
A pandemia da Covid-19 deixou marcas profundas. Trabalhadores da saúde relataram altos níveis de estresse, ansiedade e tristeza, especialmente diante da perda de pacientes e colegas. Segundo especialistas, esse período acelerou o adoecimento mental que já vinha sendo relatado anteriormente.
Atendimento precário e dificuldades de acesso
Apesar da gravidade do problema, o apoio psicológico oferecido ainda é insuficiente. Muitos profissionais relatam que o atendimento é feito de forma informal, conhecido como “atendimento de corredor”, quando colegas prescrevem medicamentos em situações emergenciais.
A dificuldade em conseguir acompanhamento psiquiátrico e psicológico formal também é recorrente. Em alguns casos, a espera por consultas ultrapassa meses, sem retorno adequado.
Resposta do Estado
A SES-MG e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informaram que, desde a pandemia, mantêm o programa “Acompanhar”, voltado ao acolhimento psicológico de servidores. O atendimento envolve equipes multiprofissionais e encaminhamentos para unidades especializadas, como o Instituto Raul Soares.
A pasta ainda destacou que, em casos específicos de transferência de unidades, foram oferecidas alternativas de realocação, de acordo com o perfil profissional e a disponibilidade de vagas. Além disso, informou que o Ipsemg oferece atendimento em psiquiatria por meio da rede própria e credenciada, tanto na capital quanto no interior do estado.
Reflexo de uma realidade estrutural
A alta incidência de transtornos mentais entre trabalhadores da saúde em Minas Gerais revela um problema estrutural. Pressão constante, sobrecarga, falta de valorização e salários baixos compõem um cenário que impacta diretamente na saúde psicológica da categoria.
Para especialistas, enquanto não houver políticas consistentes de valorização profissional, melhores condições de trabalho e suporte psicológico efetivo, os afastamentos por adoecimento mental continuarão crescendo.
















