Cerca de 400 moradores da comunidade rural de Santa Quitéria, em Congonhas, realizaram um protesto nesta terça-feira (9) contra um decreto estadual que autoriza a desapropriação de imóveis para expansão da atuação da CSN Mineração. A manifestação pacífica levou faixas e cartazes às ruas em defesa do território, da moradia e do meio ambiente.
O foco da polêmica é o Decreto nº 48.930, publicado pelo Governo de Minas Gerais, que declara a área como de utilidade pública, permitindo que propriedades privadas sejam tomadas para fins de interesse econômico. A justificativa oficial é o crescimento da produção mineral e a geração de empregos, mas moradores alegam falta de diálogo e impactos negativos à qualidade de vida.
“Estamos aqui há décadas, criamos nossos filhos nesse chão. Não fomos ouvidos”, afirmou Ana Lúcia de Oliveira, moradora há 47 anos.
O terreno em questão abriga nascente de rios, vegetação nativa e comunidades tradicionais, o que intensifica a preocupação ambiental. Organizações como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) apoiaram o protesto e reforçaram a importância de respeitar o direito à moradia e à consulta prévia das populações locais.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas afirmou, por meio de nota, que o decreto respeita os trâmites legais e que eventuais desapropriações seguirão os princípios de indenização justa. Até o momento, a CSN Mineração não se pronunciou oficialmente.
O caso ganha repercussão estadual, reacendendo o debate sobre os limites entre desenvolvimento econômico e direitos das comunidades tradicionais. A hashtag #FicaSantaQuitéria se espalhou pelas redes sociais, pressionando autoridades por mais diálogo e transparência.
















