Por Lucas Almeida – Jornalista Independente
Na noite desta sexta-feira, 18 de abril de 2025, o coração de Congonhas voltou a pulsar mais forte. Como acontece há décadas, a tradicional Encenação da Paixão de Cristo reuniu centenas de fiéis e visitantes na área externa da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, transformando o adro e os caminhos de pedra em um verdadeiro palco da fé.
O evento, organizado pela comunidade local com apoio da Prefeitura e da Igreja, não é apenas um espetáculo teatral — é uma manifestação viva de religiosidade, tradição e identidade cultural. Mais de 80 atores voluntários, figurinos históricos, iluminação cênica e trilha sonora intensa deram vida aos últimos momentos de Jesus Cristo, desde o julgamento até a crucificação.
Para quem assiste, a experiência vai além do visual. “É como se a gente viajasse no tempo e estivesse lá, vendo tudo acontecer”, comenta a professora aposentada Maria Antônia da Silva, que há mais de 20 anos acompanha a celebração. “Cada vez é mais emocionante.”
Congonhas, tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, preserva nesse evento uma de suas marcas mais profundas: a mistura entre arte e espiritualidade. A encenação da Paixão de Cristo é herdeira direta da tradição barroca que moldou a alma da cidade — onde fé e beleza se encontram nas esculturas dos profetas de Aleijadinho e nos altares dourados da basílica.
O evento deste ano também contou com intérpretes de Libras e acessibilidade reforçada, reafirmando o compromisso da cidade com uma fé inclusiva e acolhedora. Crianças, idosos e turistas de diversas partes de Minas e do Brasil estiveram presentes, muitos se emocionando com a força simbólica das cenas.
No silêncio que se seguiu à crucificação, era possível sentir a comunhão entre o passado e o presente — e o quanto a fé ainda move as montanhas de Congonhas.
















