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Quanto tempo temos? A finitude temporal.

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Não lembro como, de fato, iria começar a escrever este texto. O TEMPO (ou a falta dele) me fizeram esquecer. Não faz mal. Como Machado de Assis já dizia :

” Esquecer é uma necessidade…”.

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Ah queridos e amados leitores, quão grata sou por me ouvirem. Tal como muitos de vocês, sinto o mundo tão sem TEMPO para escutar o que meu simples, profundo, inquieto, carente e misterioso coração tem a dizer.

Obrigada a cada um de vocês que cedem TEMPO para ler uma crônica escrita por uma “pseudo escritora” (risos) , dona de uma mente em constante ebulição .

Voltemos ao TEMPO. Esse, desde os primórdios de si mesmo, sempre foi hostil, ainda que, por poucas vezes, faz-se amigo.

Definitivamente, ouso dizer que ninguém sabe lidar e /ou domar o TEMPO .
O TEMPO é democrático perante os seres humanos: todos, sem exceção, passamos por sua malevolência.

Há os que se sentem fisicamente maltratados pelo TEMPO. Envelhecer dói (na alma, no ego). O TEMPO trata de findar com a vida, dispensando consternações. Quem de nós não foi mais feliz que agora, que atire a primeira pedra. Se não fomos, temos a “certeza” de que seremos.

Gosto também dos que optam por fazer do presente um eterno pretérito perfeito, pois ali paira a comodidade dos que têm preguiça de pensar, a não ser que seja no TEMPO passado que deveras foram felizes e não sabiam.
Um segredo? Sempre estamos neste TEMPO, sempre!

Quando estamos felizes, o tal TEMPO passa rápido (apenas sensação) , por outro lado, se estamos ansiosos, em sofrimento, ele dura uma eternidade.

O TEMPO é tão poderoso quanto tinhoso. Ele tem traços psicopatas, nos manipula, controla a nossa vida e, ao mesmo tempo, é tão precioso que há dias em que despertamos para o fato de que passou, não volta mais e aí o TEMPO é só nostalgia. Licença para uma ressalva: nunca voltemos aos lugares onde, outrora (na infância, por exemplo) fomos demasiadamente felizes. Acreditem: dói muito, pois o TEMPO já mudou tudo. Não disse que ele é hostil?

Se me perguntassem sobre os melhores TEMPOS que vivi, não hesitaria em dizer que foram os que me apaixonei (por pessoas, coisas, processos) os que vivi intensamente e amei sem preposições. TEMPOS RAROS em que desejei a subserviência para executar os feitos de uma gueixa!

Enfim, agradeço o TEMPO que cada um de vocês doou para ler um texto atemporal. Eis a maior virtude da arte. A sua permanência e imortalidade.

E nestas horas aqui, ocupei-me o TEMPO escrevendo para disfarçar a saudade e a carência extrema que sinto, enquanto não volto a inventar a sensação gostosa de estar nos braços dele, como antes, naturalmente e sem as atrocidades do TEMPO.

Gratidão!

Com amor e honra atemporais,

Até breve,

Até muito breve!

Lívia Baeta Paula

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