Um espaço vital para idosos sob ameaça
O Centro de Convivência da Terceira Idade Zoé Gueiros, localizado no bairro do Tapanã, em Belém, é há mais de três décadas um ponto de referência para idosos na cidade. Criado em 1994, o centro oferece atividades físicas, recreativas e sociais para pessoas com mais de 60 anos. Contudo, recentemente, o local vem enfrentando uma grave crise estrutural provocada pelo furto da fiação elétrica, que deixou o espaço sem energia e prejudicou significativamente o atendimento. Este cenário evidencia desafios persistentes na manutenção e valorização dos equipamentos públicos destinados à terceira idade.
Problemas que vão além da falta de energia
Usuários do centro relatam que a ausência de profissionais e a diminuição das atividades são problemas antigos e que foram agravados pela interrupção do fornecimento de energia. A pensionista Roberta Moraes, frequentadora assídua há 27 anos, destacou o impacto da suspensão de aulas de ginástica e hidroginástica, que antes faziam parte da rotina dos participantes. Segundo ela, “a gente se sentia muito bem aqui porque tinha tudo”. Com a falta de professores e investimentos, o público do centro caiu de mais de 600 para cerca de 120 idosos.
Outra frequentadora, Benedita Carvalho, professora aposentada de 61 anos, relata que a comunidade chegou a se mobilizar para ajudar na recuperação após o primeiro furto, mas que a situação piorou com o segundo. Atualmente, as atividades se limitam à dança de salão e recreação, refletindo a dificuldade em manter o centro ativo e atrativo para os idosos da região.
Uma instituição pressionada pela criminalidade e pela falta de investimentos
A situação do Centro Zoé Gueiros revela um problema maior que ultrapassa os muros do espaço: a vulnerabilidade dos equipamentos públicos diante da criminalidade e da insuficiência de políticas públicas eficazes. O furto dos cabos elétricos é um ato que, além do prejuízo material, compromete a qualidade de vida de uma parcela vulnerável da população. A falta de energia impede a realização das atividades, a socialização e a manutenção da saúde física e mental dos idosos.
A Fundação Papa João XXIII (Funpapa), órgão da Prefeitura de Belém responsável pela administração do centro, confirmou o furto e informou que os reparos para restabelecer a energia começarão em breve. No entanto, os frequentadores demonstram preocupação com a demora e com a gestão da unidade, teme-se que o espaço seja fechado se os problemas persistirem.
Os impactos da redução do atendimento para a população idosa
O centro não é apenas um local para exercícios ou lazer, mas também um ambiente fundamental para o enfrentamento do isolamento social entre idosos. Atividades regulares como ginástica, hidroginástica, dança e recreação estimulam a saúde física, mental e emocional, além de fortalecerem vínculos comunitários. A redução das atividades e o desinteresse crescente devido às condições precárias podem aprofundar problemas como a solidão, depressão e o sedentarismo nessa população.
O aposentado Adelço Ribeiro, de 67 anos, afirma ter parado de frequentar o centro por causa das condições do local, que considera “tudo quebrado” e sem energia. Essa queda na procura compromete a missão social do centro e evidencia a necessidade urgente de investimentos para garantir a continuidade do atendimento.
Reflexão sobre a valorização dos espaços públicos para idosos
O caso do Centro Zoé Gueiros pode ser interpretado como um síntoma das dificuldades enfrentadas por equipamentos públicos em muitas cidades brasileiras. Espaços destinados à terceira idade são essenciais para promover qualidade de vida e inclusão social, mas dependem de manutenção constante, segurança e políticas públicas robustas.
A criminalidade é uma ameaça real, mas a falta de investimentos e de gestão eficiente também contribui para o desmonte gradual desses locais. A mobilização da comunidade, embora importante, não deve substituir o papel do poder público. É fundamental que haja uma resposta rápida e efetiva para reverter a situação do centro, garantindo que ele continue a ser uma referência para a população idosa de Belém.
Conclusão
A situação do Centro Zoé Gueiros é um alerta sobre a fragilidade dos espaços públicos de convivência para idosos diante da criminalidade e da falta de recursos. A população que depende desses locais sofre consequências diretas e prejudiciais à sua saúde e bem-estar. Para garantir a continuidade dos serviços, é necessário que as autoridades locais se comprometam com ações coordenadas de reparo, segurança e ampliação dos serviços, valorizando a terceira idade como prioridade social.
Para acompanhar mais notícias sobre políticas públicas e desafios sociais, confira também prefeitura de Juiz de Fora planeja pagamento de R$ 43,4 milhões para hospitais após impasse, que aborda a importância do suporte financeiro em serviços essenciais.
Referência: g1.globo.com
Revisado em 9 de outubro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.
Fontes consultadas: g1.globo.com
















