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O fim das franquias nos eSports e o futuro dos campeonatos digitais

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Uma era de expectativas frustradas no modelo de franquias dos eSports

Entre 2017 e 2019, o cenário competitivo dos eSports viveu uma fase de otimismo extremo ao adotar o sistema de franquias inspirado em grandes ligas esportivas norte-americanas, como NBA e NFL. A ideia era simples e sedutora: garantir estabilidade financeira e criar uma base sólida para o crescimento do entretenimento digital. Com investimentos milionários, direitos de transmissão promissores e a tentativa de formar torcidas locais apaixonadas, parecia que os eSports estavam prontos para se consolidar no mainstream do esporte.

Porém, menos de uma década depois, essa utopia se mostrou insustentável. As franquias não só deixaram de entregar o retorno financeiro esperado, como também comprometeram a saúde financeira de algumas das maiores organizações do setor. O desmonte desse modelo revela fragilidades profundas que ainda desafiam o mercado dos esportes eletrônicos.

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O caso emblemático da overwatch league e o impacto da pandemia

O exemplo mais emblemático do fracasso do sistema de franquias nos eSports é a Overwatch League (OWL), criada pela Activision Blizzard. Lançada em 2017, a OWL exigiu um investimento inicial próximo a US$ 20 milhões por franquia, valor que aumentou para até US$ 60 milhões em futuras expansões. Grandes investidores do esporte tradicional, como o Kraft Group e a Kroenke Sports & Entertainment, apostaram no que seria o “esporte da geração Z”.

O modelo adotado baseava-se no sistema home-and-away, com times estabelecendo sedes físicas em cidades específicas, como o London Spitfire e o Dallas Fuel. A intenção era replicar o ambiente de arenas lotadas e rivalidades regionais típicas do futebol e do basquete. No entanto, a chegada da pandemia de COVID-19 interrompeu esse plano. Com a impossibilidade de eventos presenciais, as audiências estagnaram, e os altos custos de manutenção das franquias se tornaram insustentáveis.

Em 2023, diante de dívidas crescentes, as equipes votaram pelo fim da OWL. A Activision Blizzard compensou cada franquia com cerca de US$ 6 milhões para rescindir contratos, encerrando o projeto e transferindo a organização das competições para circuitos terceirizados, como a ESL FACEIT Group. Essa decisão marcou um ponto de inflexão e um recuo da ideia de ligas fechadas nos eSports.

Lições da lcs e o fracasso da unificação das américas

No universo de League of Legends, a adoção de franquias na LCS (Liga Norte-Americana) em 2018 foi inicialmente celebrada como um avanço institucional. A eliminação do rebaixamento buscava dar segurança aos times, mas acabou gerando um efeito colateral perverso: a acomodação competitiva. Organizações no fundo da tabela reduziram investimentos estratégicos, apostando em elencos caros, muitas vezes compostos por jogadores importados sem conexão regional.

Essa desconexão refletiu-se na queda gradual da audiência e na falta de performances expressivas em competições internacionais, como o World Championship. Entre 2021 e 2024, os números de espectadores caíram ano a ano, o que levou a Riot Games a tentar uma solução radical: a fusão da LCS com a CBLOL e a LLA em 2025, formando a League of the Americas (LTA).

A intenção era reduzir custos e criar uma maior integração cultural entre as Américas. No entanto, o plano fracassou pela perda da identidade regional e por formatos de torneios confusos, que afastaram fãs e patrocinadores. Em 2025, a Riot reverteu a fusão, restaurando a independência da LCS e do CBLOL em 2026, enquanto a LLA foi incorporada como parceira. Esse movimento reafirmou a importância do orgulho local e do engajamento das comunidades para o sucesso das ligas.

Anatomia do colapso: desafios e aprendizados

Quatro fatores estruturais explicam o colapso do modelo de franquias nos eSports:

  • Identidade regional e cultura: os fãs valorizam narrativas locais e marcas que representem sua comunidade. O apagamento dessas características, como na LTA, gera rejeição e queda de interesse.
  • Inflação salarial desproporcional: fundos de capital de risco inflaram salários e custos operacionais sem respaldo no faturamento real com publicidade e direitos de mídia, tornando o modelo inviável.
  • Falta do efeito rebaixamento: o drama das qualificatórias abertas e da ascensão de times menores é essencial para manter a competitividade e o engajamento, algo perdido nas franquias fechadas.
  • Resistência do modelo meritocrático: o ecossistema de Counter-Strike se fortaleceu justamente por evitar ligas fechadas, privilegiando circuitos abertos e rankings que refletem o mérito esportivo, conforme regulado pela Valve.

O futuro dos eSports: sustentabilidade e ecossistemas híbridos

A experiência recente das principais ligas mostra que o fim das franquias não representa o fim dos eSports, mas o amadurecimento do mercado. O setor está migrando para modelos mais flexíveis, que combinam parcerias com grandes organizações e acesso por meio de ligas menores e qualificatórias abertas.

Além disso, a monetização direta dentro dos jogos, por exemplo, com a venda de skins e itens digitais que repassam receita para as equipes, cria uma fonte de receita sustentável e alinhada com a natureza digital do meio. Esse formato respeita a essência orgânica, interativa e meritocrática dos esportes eletrônicos, sem tentar copiar cegamente o modelo de esportes tradicionais.

Assim, os eSports reafirmam sua identidade única, valorizando a participação da comunidade, a meritocracia competitiva e a inovação tecnológica para garantir seu crescimento e relevância no mercado global.

Para quem deseja entender mais sobre a relação entre cultura e engajamento em cenários digitais, vale a pena conferir o artigo Nívea Maria fala sobre fase assexual e destaca a importância do amor próprio, que traz reflexões importantes sobre identidade e pertencimento.

Referência: olhardigital.com.br

Revisado em 10 de setembro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.

Fontes consultadas: olhardigital.com.br

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