Reunião em Ulaanbaatar evidencia impasse global diante da desertificação
Em setembro de 2026, a Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação reuniu líderes em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com o objetivo de avançar na criação de um mecanismo global para enfrentar a seca. Porém, ao final do evento, não houve consenso para implementar uma ação concreta, o que reforça a crise que o multilateralismo enfrenta nos dias atuais.
A desertificação é um dos mais graves desafios ambientais, sociais e econômicos do século, afetando milhões de hectares de terra e comprometendo a segurança alimentar e hídrica. A COP, tradicionalmente tida como fórum estratégico para debater soluções, mostrou-se limitada na capacidade de articulação entre países diante de interesses divergentes.
Contexto global da desertificação e a urgência de um pacto efetivo
A desertificação ocorre quando regiões férteis se transformam em áreas áridas devido a fatores como o desmatamento, o uso inadequado do solo e as mudanças climáticas. Ela representa um risco para a subsistência de populações vulneráveis, principalmente em países do Sahel, Ásia Central e partes da América Latina.
Nas últimas décadas, organismos internacionais alertam para a necessidade de ações coordenadas e financiamento robusto para mitigação. No entanto, as negociações em Ulaanbaatar deixaram claro que as divergências políticas e econômicas entre as nações dificultam a criação de um mecanismo global eficaz. Países em desenvolvimento buscam maior apoio financeiro e tecnológico, enquanto nações desenvolvidas resistem em ampliar compromissos sob a justificativa dos próprios desafios internos.
Essa falta de consenso contrasta com a urgência do problema e a crescente frequência de eventos climáticos extremos, que tornam a seca uma ameaça ainda mais imediata. Além disso, a desertificação contribui para deslocamentos populacionais e conflitos por recursos, ampliando o impacto social do fenômeno.
Análise: impactos da ausência de um acordo e o futuro do multilateralismo
A ausência de um acordo em Ulaanbaatar representa um revés para a governança ambiental global. Sem um mecanismo estruturado, a resposta internacional continua fragmentada, limitando a capacidade de mitigar os efeitos da seca e a reversão dos processos de desertificação.
Em termos práticos, isso significa que milhões de agricultores e comunidades rurais seguirão vulneráveis, enquanto os fundos destinados a projetos locais de combate à desertificação permanecerão insuficientes e descoordenados. O cenário reitera um problema mais amplo: a dificuldade atual do multilateralismo em promover soluções conjuntas diante de crises globais.
Além disso, a COP da desertificação serve como um termômetro das relações internacionais. O impasse em Ulaanbaatar reflete a complexidade de alinhar interesses diversos em um momento de crescente polarização geopolítica.
“É um alerta sobre a necessidade urgente de renovar o compromisso global com a sustentabilidade e a cooperação internacional, especialmente em questões que impactam diretamente a sobrevivência de populações vulneráveis.”
Para avançar, será fundamental que as próximas reuniões do Conselho de Segurança da ONU e outras instâncias multilaterais incentivem o diálogo construtivo e ampliem recursos para combate à seca. A pressão de organizações da sociedade civil e do setor privado também pode ajudar a desbloquear negociações.
Conclusão e caminhos para o enfrentamento da desertificação
Embora a COP da desertificação não tenha alcançado o resultado esperado, o encontro reforça a necessidade de um esforço coletivo global mais incisivo. A crise da seca não respeita fronteiras e sua ampliação compromete diretamente a segurança alimentar e os direitos humanos.
Investir em tecnologias sustentáveis, promover políticas públicas eficazes e ampliar a cooperação técnica são passos essenciais. Além disso, o fortalecimento do multilateralismo, com foco em transparência e equidade, será decisivo para superar obstáculos e avançar na luta contra a desertificação.
Leia também sobre os desafios ambientais em áreas urbanas, como no caso do alagamento no Barreiro, que mostram a complexidade dos impactos das mudanças climáticas em diferentes contextos.
Referência: www.em.com.br
Revisado em 8 de setembro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.
Fontes consultadas: www.em.com.br
















