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Prefeitura de Congonhas MG lança Monumento Natural da Serra do Pires, que receberá um Observatório Planetário ligado ao Laboratório Nacional de Astrofísica

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Investimentos são frutos de uma parceria entre a Prefeitura de Congonhas e a J Mendes. Projeto também contempla melhorias em infraestrutura no bairro.

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A Prefeitura de Congonhas, em parceria com o Grupo J. Mendes, anunciou nesta segunda-feira, 24 de agosto, em um evento especial na região da Serra do Pires, um pacote de investimentos para a região no valor de R$30 milhões.

Por meio de termo de compromisso social firmado com a Prefeitura de Congonhas, a Ferro+, empresa do Grupo J. Mendes, destinará R$ 30 milhões para apoiar projetos de interesse público no município. Os recursos serão aplicados em três frentes: R$ 8 milhões para o subsídio tarifário do fornecimento de água potável e tratamento de esgoto; R$ 7 milhões para a requalificação urbana do bairro; e R$ 15 milhões para a implantação do Observatório e Planetário. Os repasses serão realizados de forma parcelada, conforme cronogramas e condições estabelecidos no termo, contribuindo para investimentos em saneamento básico, infraestrutura urbana, ciência, educação e desenvolvimento de Congonhas.

A cerimônia contou com a participação da Fanfarra do Pires, projeto desenvolvido pela ACNART – Associação Cultural Nova Arte, que atende crianças e jovens da comunidade e conta com patrocínio das empresas Construtora Barbosa Melo e Ferro +. Também participaram do evento diversas autoridades do meio acadêmico e institucional ligadas à preservação ambiental e à ciência e a tecnologia. Estiveram presentes o prefeito, Anderson Cabido, o vice-prefeito José de Freitas Cordeiro, o Sr. Marcelo Oliveira, Diretor de Pessoas da J.Mendes, Tarcísio Nunes, coordenador do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Frederico Drumond Martins, coordenador regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais, Prof. Dr. Marcelo Pereira de Andrade, Reitor da Universidade Federal de São João Del Rei, Dr. Luciano Fraga, diretor substituto do Laboratório Nacional de Astrofísica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Miguel Ângelo de Andrade, coordenador do Comitê Estadual da Reserva da Bioesfera da Serra do Espinhaço – UNESCO, Rina Dutra, secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, João Luís Lobo, secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Dra. Kelly Beatriz Vieira Torres, coordenadora do Convênio PMC – UFSJ, Sra Isaura Lourdes Teodoro Lopes, presidente da Associação Comunitária do Bairro do Pires – COBAPI e outros representantes da UFSJ e do grupo J. Mendes.

 

A partir de uma colaboração entre a Prefeitura de Congonhas e o Grupo J Mendes, parte da Serra do Pires passa a ser protegida como Monumento Natural, garantindo maior proteção a uma área de relevante importância ambiental, paisagística e natural para o município. Essa categoria de unidade de conservação de proteção integral é destinada à preservação de elementos naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica, restringindo atividades que possam causar danos ao ambiente, como desmatamento, mineração, construções ou alterações do relevo. Com a criação do Monumento Natural, a Serra do Pires ganha um instrumento permanente de conservação, valorizando seu patrimônio natural e contribuindo para a proteção da biodiversidade, das nascentes e dos demais recursos ambientais presentes na região.

 

Frederico Drumond Martins, Coordenador Regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais, falou sobre o desafio de proteger áreas como a Serra do Pires, que “geralmente têm por um lado atributos magníficos e por outro ameaças que podem comprometer aquele atributo; Quando a gente tem essas duas situações, a melhor estratégia conhecida no mundo é criar ali uma área protegida, uma unidade de conservação”. Frederico ressaltou que, embora a legislação brasileira ofereça uma série de possibilidades para a proteção dessas áreas, o processo de criação de uma unidade de conservação é ainda muito difícil, devido a inúmeras razões, principalmente ao conflito de interesses. Por isso, o gestor parabenizou a iniciativa da prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e o apoio da iniciativa privada através da J Mendes.

Durante o evento, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, assinou o Decreto referente ao reconhecimento/proteção da Serra do Pires e o Projeto de Lei que cria o Monumento Natural da Serra do Pires – MONA, que será encaminhado à Câmara Municipal de Congonhas. A área a ser protegida contempla 207 hectares da Serra do Pires. A partir da aprovação do PL serão desenvolvidos os estudos técnicos necessários para o registro formal da área enquanto Unidade de Conservação pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.

 

Muito além do que uma paisagem bonita da cidade, a Serra do Pires reúne características biológicas, geológicas e hídricas que fazem da região um território estratégico para a conservação. A preservação desses ambientes contribui para a manutenção da biodiversidade, das nascentes e dos cursos d’água, além de favorecer a formação de corredores ecológicos.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, João Luís Lobo, manter essas conexões naturais é fundamental para garantir a circulação de animais, a dispersão de espécies vegetais e a sobrevivência da biodiversidade em uma região que passou por profundas transformações ao longo dos anos. “Conservar a Serra do Pires também é cuidar da segurança hídrica de Congonhas. As matas, nascentes e fundos de vale presentes nessa região fazem parte de um sistema natural que ajuda a produzir, armazenar e proteger a água que chega à população. Em um município com uma relação histórica tão forte com a mineração, precisamos também identificar quais áreas são insubstituíveis e precisam permanecer protegidas. A Serra do Pires é uma delas”, destacou. Em seu discurso, o secretário deu uma verdadeira aula sobre a biodiversidade da Serra do Pires e sua importância para a cidade de Congonhas, ressaltando além das contribuições no campo da biologia, seu caráter essencial para o título de patrimônio mundial concedido ao Santuário do Bom Jesus de Matozinhos pela UNESCO, já que é a Serra do Pires que emoldura a paisagem territorial avistada por quem passeia entre os profetas de Aleijadinho no adro da Basílica.

Para Tarcísio Nunes, Coordenador do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a convivência entre a preservação ambiental e a atividade minerária é conhecidamente algo muito difícil, por isso é mais um motivo para se comemorar a conquista do MONA para a Serra do Pires.

A iniciativa é resultado de uma construção conjunta entre o Governo Municipal de Congonhas e o Grupo J Mendes, dentro de uma agenda que busca conciliar desenvolvimento, responsabilidade ambiental, conhecimento, valorização do território e qualidade de vida. “Para o Grupo J. Mendes, participar dessa construção ao lado da Prefeitura de Congonhas representa transformar diálogo e compromisso em iniciativas concretas para o território. Acreditamos em um desenvolvimento capaz de conciliar atividade econômica, preservação ambiental, conhecimento e geração de valor para as comunidades. A Serra do Pires tem uma relevância especial para Congonhas e para toda a região, e queremos contribuir para que esse território seja cada vez mais reconhecido por sua biodiversidade, pelo seu potencial para a ciência e a inovação e, sobretudo, pelo legado que podemos construir juntos para as próximas gerações” ressalta Thereza Balbi, Gerente de Relações Governamentais do Grupo J Mendes.

 

O segundo grande anúncio do dia foi a construção de um Observatório Planetário na Serra do Pires, que está sendo projetado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica e é fruto de um convênio entre a Prefeitura e a Universidade Federal de São João Del Rei. “Trazer esta iniciativa para Congonhas, especialmente para a Serra do Pires, representa uma oportunidade de promover o desenvolvimento territorial, projetar o município nacionalmente e contribuir para a geração de dados relevantes à pesquisa científica brasileira. Este é mais um investimento da Prefeitura de Congonhas na ciência, tecnologia e inovação como vetores de diversificação econômica, aproximando a comunidade do conhecimento e abrindo novas oportunidades de formação, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável “, destaca a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Rina Dutra.

A previsão é de que as obras do Observatório sejam iniciadas em 2027 e o equipamento seja inaugurado no segundo semestre de 2028. Ele servirá como base para a pesquisa científica dos laboratórios de astrofísica do IFMG Campus Congonhas e da Universidade Federal de São João Del Rei Campus Alto Paraopeba, contribuindo para pesquisa regional e fornecendo informações a nível de soberania nacional para o Laboratório Nacional de Astrofísica.

“Nem em sonho nós imaginávamos que seria uma obra tão grandiosa, tão linda, como o que eles apresentaram pra gente hoje. Foi emocionante, derramei lágrimas, porque a gente sobe a Serra todo dia, né? E a gente sempre esperou um reconhecimento”, contou Patrícia Dantas, técnica de enfermagem e moradora do bairro. “Há cerca de 2 anos nós fizemos uma audiência pública e pedimos pelo tombamento da Serra e hoje fomos agraciados com esse MONA; esse diálogo entre a Prefeitura, associação de bairro, moradores e a J Mendes foi uma grande surpresa pra nós; esse investimento vai trazer grandes melhorias pra nós, uma qualidade de vida melhor para todos os moradores, nossas crianças e jovens”, comentou Isaura Lourdes Teodoro Lopes, presidente da Associação Comunitário do Bairro Pires – COBAPI.

O Diretor de Pessoas da J Mendes, Marcelo Oliveira, destacou a postura do grupo nesta parceria: “quando nós assinamos um termo como esse, nós fazemos uma escolha e essa escolha realmente é apresentar que responsabilidade empresária ultrapassa a geração de empregos e o recolhimento de impostos. Nós fazemos uma escolha de estar ao lado do município”.

Fechando o evento, o prefeito Anderson Cabido comentou que é do interesse de seu governo que “o desafio de compatibilizar desenvolvimento, proteção e preservação ambiental e valorização da comunidade se faça mais presente”. O chefe do executivo reforçou que “diante dos conflitos estabelecidos em um território como o Pires, é preciso ter competência, sabedoria e grandeza para estabelecer um diálogo entre interesses que a princípio podem parecer contraditórios, mas quando a gente senta em torno de uma mesa, a gente consegue encontrar pontos que nos une”.

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