Restrições da UE ao aço: Brasil reage e cobra compensação
Restrições da UE ao aço: Brasil reage e cobra compensação marcam a nota conjunta divulgada pelos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quinta-feira (2/7/2026). O governo afirma que as barreiras recém-anunciadas pela União Europeia (UE) encolhem o espaço para o aço brasileiro no bloco e exigem contrapartidas previstas em acordos internacionais.
Medidas europeias ampliam barreiras ao aço brasileiro
A Comissão Europeia reduziu em 47% o volume de aço que pode ingressar no mercado europeu sem pagar tarifas, limitando-o a 18,3 milhões de toneladas anuais. Ultrapassado o teto, passa a valer uma alíquota de 50% sobre o excedente em 26 categorias de produtos siderúrgicos. Metade das cotas foi reservada a países com acordos de livre-comércio, enquanto o restante será dividido entre demais parceiros, alguns deles submetidos a limites individuais baseados em vendas históricas.
Para Bruxelas, as mudanças são necessárias para conter o dumping e elevar a utilização das siderúrgicas locais de 65% para 80%. A Comissão ressalta ainda a perda de cerca de 100 mil empregos desde 2008 e a concorrência de grandes produtores como Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan. (Veja a nota oficial em site da Comissão Europeia).
Brasil cobra compensações previstas no GATT
O Itamaraty e o MDIC sustentam que o novo sistema de cotas é “unilateral” e não se enquadra no Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), que permitiria negociações para compensar perdas de exportadores. Segundo o comunicado, o Brasil, também afetado pelo excesso de oferta global de aço, considera que excluir países que não provocaram essa sobreoferta não resolverá o problema e pode acirrar disputas comerciais.
Apesar do impasse, Brasília promete manter o diálogo para alcançar “solução aceitável” e reforça o compromisso com abordagens multilaterais em fóruns como a Organização Mundial do Comércio e o Fórum Global sobre Capacidade Excedente de Aço.
Impacto sobre a indústria nacional
O setor siderúrgico brasileiro teme perda de competitividade em um momento de demanda interna morna. Com a tarifa potencial dobrando de 25% para 50% e o volume isento quase pela metade, exportadores poderão enfrentar custos adicionais para acessar um dos seus principais destinos. Em 2025, a UE respondeu por parcela expressiva das vendas externas de chapas e bobinas laminadas produzidas no país.

Imagem: Agência Brasil
O governo estuda, ainda, acionar mecanismos de solução de controvérsias, caso não haja acordo sobre compensações. Paralelamente, empresas locais avaliam redirecionar parte da produção a mercados alternativos na América Latina, Estados Unidos e Oriente Médio.
Continue acompanhando a cobertura sobre política comercial em nossa editoria BRASIL e saiba como as futuras negociações poderão redefinir o fluxo de exportações nacionais.
Crédito da imagem: YouTube/Usiminas















