Banco do Brasil obtém alívio de capital após aval do TCU
Banco do Brasil obtém alívio de capital após aval do TCU ao conseguir repactuar, junto ao Tesouro Nacional, o cronograma de devolução do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD), medida aprovada pelo Tribunal de Contas da União e comunicada ao mercado nesta sexta-feira (26).
Banco do Brasil obtém alívio de capital após aval do TCU
Segundo fato relevante, a revisão do cronograma permitirá ao Banco do Brasil (BBAS3) preservar 7 pontos-base (bps) de capital principal em 2026 e outros 7 bps em 2027. Para 2028 e 2029, o consumo projetado sobe para 8 bps e 21 bps, respectivamente.
O pedido de repactuação, apresentado no início de 2026, altera o pagamento dos R$ 4,1 bilhões ainda devidos do total de R$ 8,1 bilhões emitidos em 2012. O novo calendário estabelece duas parcelas de R$ 100 milhões em julho de 2026 e julho de 2027, R$ 1 bilhão em julho de 2028 e o desembolso final de R$ 2,9 bilhões em julho de 2029.
A adequação faz parte do pacote de ações prudenciais iniciado em 2025 para conter o consumo de capital em meio à deterioração dos resultados. Entre as iniciativas está a redução do payout para 30 % nos exercícios de 2025 e 2026.
O banco estatal viu sua rentabilidade encolher depois que a inadimplência no agronegócio saltou de 1 % para 6,1 % a partir do 3º trimestre de 2024, reflexo do aumento das recuperações judiciais e da Resolução CMN nº 4.966/2021, que elevou as provisões de crédito. O lucro recuou cerca de 60 % e o ROE passou para um dígito, gerando preocupação entre analistas sobre a velocidade da recuperação.
Apesar da aprovação do TCU trazer fôlego, a própria administração projeta uma retomada em formato de “W”, com possível nova queda antes da estabilização. A expectativa é que o índice de pagamentos em dia retorne a 95 % apenas na safra de 2026, após tocar 92 % em 2025.

Imagem: Renan Dantas
Para especialistas, a decisão do TCU reduz pressão imediata sobre o capital, mas a performance seguirá condicionada ao comportamento da carteira agropecuária e ao ambiente regulatório. Como destacou a Reuters, o banco ainda precisa demonstrar capacidade de absorver eventuais novas perdas no campo.
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Crédito da imagem: Reuters/Adriano Machado















