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Maio Vermelho: Brasil deve registrar mais de 17 mil novos casos de câncer de boca por ano até 2028

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Mais de 76% dos diagnósticos no país ocorrem em estágios avançados; oncologista e dentista explicam como identificar os primeiros sinais da doença e a importância de ir além dos cuidados básicos de higiene.

Minas Gerais – Maio de 2026. Neste mês é celebrado o Maio Vermelho, campanha dedicada à conscientização e prevenção do câncer de boca. O cenário projetado para os próximos anos reforça a urgência de ações imediatas de mobilização e prevenção. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio de 2026 a 2028, serão registrados mais de 17 mil novos casos anuais da doença no Brasil.

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No país, 76,3% dos casos são identificados apenas nos estágios III ou IV, fases mais avançadas da doença. Esse diagnóstico tardio reduz as chances de cura e pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O oncologista e professor da Afya Itajubá, Dr Gerson Yoshinari, comenta que além de salvar a vida, o diagnóstico precoce muda completamente o tratamento.

“Tumores detectados em estágio inicial geralmente exigem intervenções cirúrgicas menos extensas, o que resulta em menor impacto estético, preservação das funções de fala e mastigação e uma recuperação mais rápida. Além disso, na maioria dos casos, o diagnóstico precoce pode reduzir ou até evitar a necessidade de tratamentos mais agressivos, como radioterapia e quimioterapia”.

Em 2022, foram registrados aproximadamente 389 mil novos casos de cânceres de lábios e cavidade oral em todo o mundo, colocando a doença entre as mais incidentes globalmente. Dr Gerson Yoshinari ressalta que o câncer de boca pode apresentar sinais iniciais claros, mas que frequentemente são confundidos com problemas simples do dia a dia, como aftas.

“O principal sinal de alerta é qualquer ferida na boca que não cicatriza em até 15 dias. Lesões persistentes na língua, gengiva, bochecha ou céu da boca devem ser avaliadas por um dentista ou médico o quanto antes. Também merecem atenção manchas vermelhas (eritroplasias) ou esbranquiçadas (leucoplasias) na cavidade oral, pequenos nódulos no pescoço ou na face, sangramentos sem causa aparente, dificuldade para mastigar, engolir ou falar, além de rouquidão persistente. No início, a doença geralmente não causa dor, o que pode levar ao adiamento da busca por atendimento”, complementa o especialista.

No Brasil, a mortalidade também preocupa. Em 2023, foram contabilizados 7.172 óbitos relacionados aos cânceres de cavidade oral, glândulas salivares e orofaringe.

Cuidados bucais preventivos

Dos casos previstos anuais, 12.260 casos devem acometer homens, enquanto 4.930 serão registrados entre mulheres. Essa disparidade frequentemente se associa a uma menor frequência dos homens a consultas médicas e odontológicas de rotina, retardando a identificação de lesões suspeitas.

O professor de odontologia da Afya São João del Rei, Dr Breno Cherfên Peixoto, destaca que os principais cuidados preventivos:

Evitar tabagismo e consumo de álcool: quando a pessoa fuma e bebe, o risco dispara, porque o álcool ajuda as substâncias tóxicas do cigarro a penetrarem ainda mais na boca. Seja o cigarro comum, de palha, charuto, narguilé ou o cigarro eletrônico.

Proteção contra exposição solar: uso de protetor labial e outros cuidados para reduzir o risco de câncer de lábio, especialmente em pessoas que trabalham ao ar livre.

Manutenção da boa higiene bucal: reduz processos inflamatórios crônicos e contribui para a saúde da mucosa oral.

Eliminação de fatores traumáticos: ajuste de próteses mal adaptadas e controle de irritações que possam causar lesões persistentes.

Alimentação saudável: dieta rica em frutas, vegetais e antioxidantes (vitaminas A, C e E), que auxiliam na proteção celular; já dietas pobres em micronutrientes aumentam a vulnerabilidade ao dano oxidativo.

Prevenção do HPV: transmitida principalmente por sexo oral sem proteção, tem contribuído para o aumento de casos em pessoas mais jovens.Vacinação e práticas sexuais seguras ajudam a reduzir o risco de infecções associadas a lesões potencialmente malignas.

Exames periódicos com cirurgião-dentista estomatologista: avaliação regular da cavidade oral devido à complexidade das estruturas da boca. A topografia da mucosa oral realizada pelo especialista apresenta sítios anatômicos complexos e de difícil compreensão para quem não é especialista da área.

“O acompanhamento odontológico durante todas as etapas do tratamento oncológico é fundamental para a manutenção da saúde geral e qualidade de vida do indivíduo”, conclui o dentista.

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